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Sket Dance by Maximum Cosmo

Oi, pessoal, boa noite! Bom, como eu sou, eu acho, o que menos aparece aqui pra falar diretamente com vocês, resolvi fazer logo dois posts seguidos! Não tenho tido muito tempo para escrever as reviews, diferente de quando o blog começou, quando escrevia umas 3 por semana. Bom, agora o MyName também escreve e isso é ótimo... mas o desgraçado escreveu logo sobre Madoka (Puella Magi Madoka Magica)... cara, vocês não tem ideia do quanto eu queria falar sobre esse anime. Mas eu me vinguei com a review que fiz agora a pouco (do post abaixo deste): Gosick. Pra quem não sabe, Gosick é o anime favorito do Name, então me vinguei bem hahahah
Bom, deixando isso de lado, decidi trazer um texto MUITO bom e MUITO grande sobre um dos meus animes preferidos, entre os que estão passando agora: Sket Dance. Na verdade, o texto é de antes de Sket Dance virar anime, ou seja, é sobre o mangá. Aliás, é uma review. O texto é grande, mas LEIAM, sério, até porque é sobre algo que vocês gostam: animes! Peguei o texto do site Maximum Cosmo, foi escrito pelo Lancaster. Acessem esse site, é excelente e ele tem matérias muito boas que vocês vão até aprender alguma coisa lendo elas. Sério, tem um artigo sobre um movimento artístico chamado Superflat (é MTO FODA). Não sejam preguiçosos e leiam, VALE A PENA, PRINCIPALMENTE SE VOCÊ GOSTA DE SKET DANCE! Copiei ela na íntegra, só cortei um pedacinho do final, onde ele exibe um video. Té mais e espero que gostem do texto o/
SKET DANCE, DE KENTA SHINOHARA
Organizar uma antologia, qualquer uma, é uma tarefa complicada. Porque você tem que escolher uma faixa de público como alvo e em seguida, dentro dele, apresentar uma gama de títulos que atinja as subdivisões internas que esse público possa ter. A antologia para garotos Shonen Jump,da Shueisha, se esforça concretamente para atingir um público de no máximo quatorze anos, embora muita gente continue lendo esse material por anos a fio. O público de Bleach não é o mesmo público deNaruto, que não é mesmo público de Toriko, que não é o mesmo público de One Piece, que não é o mesmo público de Bakuman. Junte a isso uma cultura de descartabilidade da antologia que só é possível graças ao seu preço extremamente baixo para padrões japoneses: Não é incomum que um leitor apenas acompanhe duas ou três séries dentro de um mix interno de antologia e a deixe em algum
canto do metrô. Então aqui eu faço uma pergunta: no atual mix da Jump, se você, leitor, se limitasse a apenas duas ou três séries, quais seriam?
Eu não presto para responder essa pergunta porque eu sou um leitor compulsivo de quadrinhos: tenho certeza de que se me caísse toda semana uma Jump na mão, eu a devoraria de cabo a rabo – e não custa lembrar que eu não sou público-alvo dela há muito. Gosto de Bleach, e afinal de contas eu acompanho a série pela edição da Viz americana, mas acredito que não seria por causa dele que eu compraria a revista; ele viria por tabela. Quem são os títulos que eu não perderia, nem por um decreto, e justificariam meu ato de compra na minha humilde e personal opinião?
Eu não precisaria nem pensar na resposta: diria imediatamente Bakuman e Sket Dance.Sem brincadeira.
De Bakuman eu falei ainda quando do primeiro volume. Só posso dizer que as minhas expectativas como leitor não só tem sido bem atendidas como ele tem o poder de me deixar coçando as mãos para desenhar. Ele me deixa empolgado. Já Sket Dance tem outro poder sobre mim: o de me deixar leve ao final da leitura. E não precisa de muito mais do que isso.
Nós Vamos Invadir Sua Praia
De modo seco, curto e grosso, eu definiria Sket Dance como uma espécie de Armação Ilimitada, o mangá. Sério. Não, a loura bonitinha do grupo não transa com os dois personagens como a Zelda fazia com Juba e Lula, não é disso que estou falando; é o essencial que está lá, em versão colegial: um grupo de quebra-galhos que topa qualquer parada, sempre com muito bom humor – e nisso dá margem a um festival de paródias e brincadeiras visuais de todos os tipos. Sket Dance é uma série pop e camaleônica, e esse é seu maior trunfo e qualidade: ele jamais cansa o leitor. Você simplesmente não sabe o que esperar no capítulo seguinte.
A premissa da série em si é simples até o osso e se ancora dentro do sistema escolar de "clubes", onde você só precisa de três ou quatro pessoas interessadas em algum tema para fechar um grupelho como atividade extra-escolar. Esses clubes funcionam como uma forma de socialização – e quem lê mangás está cansado de ver esse esquema como uma forma conveniente de reunir personagens diferentes dentro do mesmo espaço. O clube da vez se chama Sket Dan, e tem como objetivo ajudar as pessoas que baterem à porta com seus problemas insolúveis – eles farão tudo para resolvê-lo, por mais absurdo que seja, desde pajear um macaco tarado a
encontrar jogadores para que montem um clube sobre algum jogo estapafúrdio. Como de modo geral o clube vive às moscas, nossos três excêntricos protagonistas acabam sendo usados como quebra-galhos mesmo, ajudando o zelador a consertar o telhado – isso é, quando eles estão fazendo alguma coisa ao invés de ficar matando o tempo das formas mais esdrúxulas. Isso atrai periodicamente a atenção do Conselho Estudantil – um bando de alunos insuportavelmente caxias, que periodicamente procura fechar o Sket Dan e varrer essas três figurinhas largadas do mapa. Se esse texto está soando exageradamente "narrador da Sessão da Tarde", não há como evitar: Sket Dance é um título com cara de Sessão da Tarde até a medula – e falo de quando as Sessões da Tarde eram boas, com filmes como "Curso de Verão", e não esse maldito zoológico de hoje.
The Get Along Gang, Get Along Gang...
O protagonista, Fujisaki Yuusuke – mais conhecido comoBossun para os amigos – é definitivamente o mais figuraça de todos. Fã de uma série de anime das antigas, ainda usa o chapéu de seu herói favorito e um par de óculos de proteção, que ele usa para se concentrar intensamente. A menina da trinca, Hime Onizuka, é conhecida pelo apelido de Himeko,mas já foi muito apropriadamente chamada de Onihime... ou seja, princesa-demônio; ela já foi participante de brigas entre gangues e hoje é o braço porradeiro do bando, além de ter um gosto peculiar por pirulitos de sabores intragáveis – tipo "sabor polvo" ou coisas do gênero (o pior é que essas coisas existem no Japão, acreditem). Por fim, Kazuyoshi Usui – que tem o apelido de Switch –
é um nerd a níveis assustadores, que nem se dá mais ao luxo de falar: digita tudo em seu laptop e deixa um programa sintetizador de voz cuidar do resto. O resto é consequência: algum aluno – e até algum professor, de vez em quando – se vê com problemas, bate a porta do clube e nossa turma se esgoela para ajudar, de qualquer forma. Não há uma grande trama na série. Mesmo os arcos mais longos se resolvem em um número reduzido de capítulos.
Isso dá margem a um dos grandes trunfos de Sket Dance: ela não pertence a um gênero só. Mesmo tendo o humor como cola, ela deixa que o tema da vez "molde" a abordagem do episódio. É só prestar atenção: o traço de Kenta Shinohara é bonito, elegante e bem cuidado, mas normalmente ele não apresenta grandes vôos visuais. A diagramação é até bem conservadora em termos de mangás shonen (para garotos). Isso tem uma razão muito grande de ser: parte da arte de se fazer paródias repousa na capacidade de mimetizar o máximo possível o parodiado. Foi por causa disso que chamaram, por exemplo, o mesmo responsável pelas cenas de aviação no Top Gun com Tom Cruise para desempenhar o mesmo papel na produção de Top Gang – Ases Muito Loucos.
Troca de Passos
Ou seja, ele precisa ser mais careta mesmo, quando nada está acontecendo, para que ele possa tirar seu maior trunfo da cartola: sua capacidade imensa para desenhar em estilos e gêneros diferentes, dentro e fora do shonen. Eles se destacam por contraste, e em Sket Dance, Shinohara faz de tudo: Shonen de porrada tanto ao estilo de brigas de gangues como de séries de combate, comédia romântica, estilos infantis que remetem ao combo Fujiko Fujio de Doraemon, estilos particulares como os de séries como Beck (em um par de episódios que rendeu um dos momentos mais memoráveis da série até agora) – e até shoujo(!). Mais: em todos ele se sai muito bem, como se estivesse mostrando que pode desenhar qualquer coisa, em qualquer gênero. Da mesma forma, Bossun tem uma adaptabilidade imensa e consegue desempenhar bem qualquer tarefa, desde desenhar até tocar guitarra, de acordo com a necessidade do episódio.
Essa flutuação às vezes assusta. Podemos dar de cara com um episódio mais realista, com elementos de drama (e alguns são realmente tensos ou mais sérios), e de repente acabamos sendo jogados em episódios malucos como o do líquido que faz crescer cabelo ou de quando o protagonista toma uma poção da juventude. Mas esse é o espírito da história e não duvido que o autor tivesse isso em mente
quando criar uma série: "Ah, não tenho saco para ficar a vida inteira OU fazendo lutas intermináveis, OU fazendo comédia romântica, OU fazendo histórias de mistério, OU fazendo gag mangá, OU (preencha aqui o que você imaginar)." E criou uma estrutura que lhe permitisse fazer o que viesse à telha.
Funciona.
Dance! Dance! Dance!
Outro ponto importante, e até inusitado em uma série alucinada como essa, é que há um senso invejável de coerência interna – que é ancorado no fato de que estamos numa escola, afinal de contas. Personagens que poderiam desaparecer e nunca mais ser vistos se tornam recorrentes simplesmente porque eles ocupam seu espaço dentro da dinâmica local e não vão deixar de fazer isso só porque saíram dos holofotes. Ou seja, se um episódio é focado na editora-chefe do jornal da escola, ela vai reaparecer caso o jornal seja mencionado novamente, mesmo que seja uma ponta menor. Um personagem sumido pode ganhar um episódio apenas para ele, e ele vai ser totalmente coerente com o que foi dito sobre ele antes. Curiosamente, essa é a estrutura utilizada nos quadrinhos italianos, os fumettis, que em geral
também são ancorados em séries episódicas. Quando os personagens retornam após MUITOS volumes(compare o número de aparições de Mefisto – aquele que é considerado o maior vilão da mitologia do personagem de faroeste Tex; se olharmos bem, não são muitas e foram escritas com intervalos enormes de tempo), geralmente eles batem com o que foi dito sobre eles, mesmo que tenha sido em uma história de vinte anos atrás!
No fim das contas é uma estrutura que funciona e que conta com outro trunfo: Shinohara tem uma mão imensa para criar personagens cheios de empatia e acabamos querendo vê-los de volta cedo ou tarde – como Shinzou Takemitsu, que na
prática é um samurai que nasceu na época errada e que é viciado em pastilhas Tic-Tac genéricas; ou Roman Saotome, uma garota que é açúcar puro e que tem uma espécie de "aura shoujo", transformando tudo em um cenário de quadrinhos românticos da antiga – para o horror geral dos personagens; sem falar de Reiko Yuuki, que parece ter saído diretamente de filmes de terror como O Grito eO Chamado, e que forma uma espécie de casal relutante com Switch. A lista na verdade é extensa demais para ser descrita aqui. E demodo geral nenhum desses coadjuvantes é superexposto. O coração da série é sempre Bossun, Himeko e Switch, e é não preciso muito mais do que isso.
A Dança das Cadeiras
Infelizmente, por sua própria natureza de título de comédia, Sket Dance não tem grandes posições na Jump. Ele dança de forma muito oscilante, eventualmente estando entre os dez primeiros, eventualmente entre os dez últimos. A verdade é que os títulos campeões são os mega-hits da porrada e dificilmente um título do seu gênero conseguiria ultrapassar nos dias de hoje um Naruto ou um One Piece. Já é muito que um Bakuman consiga, nas listas de conteúdo de uma Jump, chegar a uma posição de quinto lugar, ainda mais com o advento de um novo peso-pesado em formação,
Toriko (que eu acredito que jamais vá pegar com a mesma força no exterior por uma série de razões, mas elas não estão em discussão aqui).
No fim das contas, a galera do Sket Dan até que não se sai mal; suas compilações vendem bem no lançamento, e ele está até em boa posição dentro do segundo time da Jump, apesar dos pesares – por algum tempo, ele chegou a estar na lista perigosa dos cinco menos populares, para depois recuperar posições. Sket Dance balança irregularmente ao sabor do momento, e pula de posições continuamente. É uma dança arriscada e pode custar a cabeça do título – mas sinceramente, algo me diz que eu poderia ler um número monstruoso de volumes dessa série e continuar feliz da vida; de todos os materiais publicados na Jump, é o que eu mais torço para que vire anime, porque isso pode impulsionar suas vendas e garantir, finalmente, uma estabilidade para o material.
De resto, Sket Dance é isso: um título "tudo ao mesmo tempo agora", que tem personagens simpáticos, diverte horrores, nunca deixa seu leitor ficar entediado e é sempre bem-feito. O que mais um quadrinho precisa, sinceramente? Divirtam-se.
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